domingo, novembro 13, 2011

Díli recorda 20 anos do massacre de Santa Cruz




Milhares de pessoas marcharam no passado sábado entre a igreja de Motael e o cemitério de Santa Cruz em Díli para assinalar o vigésimo aniversário do massacre perpetrado por militares indonésios contra timorenses, provocando centenas de mortos e feridos.


Os participantes, a maior parte dos quais jovens de escolas secundárias e da Universidade de Timor-Leste, terminaram a marcha em frente ao cemitério de Santa Cruz, onde foram feitos vários discursos que apelaram à unidade nacional.
"Viva Timor-Leste" foi a expressão mais ouvida durante as mais de quatro horas de duração da marcha e da concentração, que terminou com música, dança e a deposição de flores no cemitério.
A participação de tantos jovens deixou emocionado o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, que em declarações à agência Lusa disse que é altura de os jovens começarem a aparecer no processo "para corrigir os mais velhos".
"Devem começar a aparecer neste processo como uma força que possa corrigir a nós os velhos, a nós que estamos em partidos, eles podem fazer isso, eles podem, como mudaram no passado, mudar agora", disse Xanana Gusmão.
Na cerimónia, organizada pelo Comité 12 de novembro, participaram também o Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, e o secretário-geral e o presidente da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (FRETILIN), Mari Alkatiri e Franscisco Lu Olo, respetivamente.
Além de vários membros do governo, estavam também o antigo chefe das Forças Armadas general Taur Matan Ruak, o vice-chefe das Forças Armadas, brigadeiro-general Filomeno Paixão, e elementos do corpo diplomático.
A 12 de novembro de 1991, mais de duas mil pessoas reuniram-se numa marcha até ao cemitério de Santa Cruz, em Díli, para prestarem homenagem ao jovem Sebastião Gomes, morto em outubro desse ano pelos elementos ligados às forças indonésias.
No cemitério, militares indonésios abriram fogo sobre a multidão.
Segundo números do comité 12 de novembro, 2.261 pessoas participaram na manifestação, 74 foram identificadas como tendo morrido no local e 127 morreram nos dias seguintes no hospital militar ou em resultado da perseguição das forças ocupantes.
Os restos mortais da maior parte das vítimas continua por ser localizado.

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VIDEO: Sapo.tl



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